segunda-feira, 3 de novembro de 2014

domingo, 2 de novembro de 2014

Assassinato verde

      Aqui no meu condomínio as árvores são literalmente assassinadas sem critérios aparentes! As podas são feitas fora de época - pois cada árvore tem uma época certa de poda, creio - e fazem a árvore ficar torta, pender para um só lado, ou ficar em formato de V , tudo para livrar os fios.
      Neste mês de outubro, uma árvore, centenária provavelmente, foi aniquilada. Me parecia sã, então não sei o motivo de tal ação. Só sobrou toco rodeado por raízes. Muito triste.





Foi ou não só pra me irritar???

      A imagem diz tudo:


      É normal que as crianças percebam o que se passa à sua volta, mesmo que os fatos não lhes sejam direcionados. Tais acontecimentos respingam nelas quase sem que possamos controlar.

      Como qualquer criança, Caio ficou atento ao desenrolar das eleições. Começou a observar as inúmeras propagandas que via no caminho de casa pra escola e vice-versa. E dizia:

      - Olha! É a Dilma! Mamãe, o Pedro Paulo! - e ia lendo os nomes dos candidatos.

      Me perguntou algumas vezes em quem eu ia votar. Eu ficava reticente, pois nem ao menos havia decidido efetivamente se ia boicotar as eleições ou não.

      Mais pra perto do pleito já tinha feito minhas escolhas, mas elas me repugnavam a ponto de eu não querer confessá-las para meu filho. Foram votos sofridos.

      Caio me companhou na hora da votação, no 1º turno. Ficou impressionado com a quantidade de papeizinhos que via pelo chão. As ruas ficaram realmente emporcalhadas! Ele catou um monte (quando digo um monte, é um monte literalmente!) de "santinhos" e passou a semana brincando com eles. Espalhava pelo quarto todo e adjacências, de modo que frequentemente me deparava com a cara de uma persona non grata sorrindo pra mim... aliás, como sorriem, né... deve ser pensando em tudo o que roubarão depois de eleitos. 

      Na cabine eleitoral, deixei que ele apertasse "o verde" todas as vezes. Reconheceu a foto do Felipe Guerra (candidato a Deputado Federal pelo PCO , professor e amigo nosso) na tela. Só depois é que fiquei sabendo que tal prática (a de levar crianças para a cabine) é proibida!!! Mas lá, na hora, ninguém me alertou...

      Durante a semana que antecedeu o 2º turno, Caio me fez muitas perguntas, que eram respondidas de maneira simplória, de acordo com a exigência da compreensão dele. Resultado: sabe em quem não votei para governador, sabe em quem votei para presidente.

      A simplicidade infantil do Caio coloca as velhas dicotomias do bem contra o mal em pauta. Sendo assim, ele acha que a Dilma é do bem, só porque a mãe votou nela... E para ele, o "pé grande" é do mal. Simples assim. (Sou obrigada a concordar...).  Então, só posso achar que a capa de revista desenhada por ele foi mesmo pra me irritar!!! Duplamente!!

      Só para deixar registrado: Pezão era governador durante a greve e mandou a PM descer o cacete nos professores grevistas inúmeras vezes; Pedro Paulo é o tal da prefeitura que recebia o SEPE e representantes da base e diante do pedido de aumento salarial, disse a seguinte frase: "Podemos [dar aumento], mas não queremos e não faremos."

      Só pra deixar registrado também: hoje, voltando da praia, do nada Caio concluiu: 
      - Mãe! Então você votou no Crivella?
      Silêncio sepulcral no carro.

domingo, 26 de outubro de 2014

Hoje foi dia...²

       Tirando as compras da mala do carro quando um carro da PM estacionou na porta da escola municipal que fica em frente ao meu bloco, com as grades do condomínio nos separando. Caio, óbvio, foi até a grade conversar com o policial.
       Para ouvir melhor Caio, o policial fez uma manobra e estacionou na calçada do condomínio. E Caio:
       - Você não vai nos prender não, né? Não roubamos nada hoje!

       hauahahauhauhauahau , mas antes de rir, quase caí pra trás: hoje não roubamos nada... ainda bem. Estaria em cana uma hora dessas.

       O diálogo continuou, o PM perguntando se ele estudava, qual era a série dele, quantos anos tinha, essas coisas. Caio, então, revela:
       - Sabe, quando eu crescer quero ser policial assim que nem você, pra vestir uma roupa igual a sua...
       E o policial, numa atitude impulsiva, retira o boné que estava aparentemente preso em sua cintura e o entrega a Caio. E fala:
       - Bem, pelo menos o boné você já tem!!!

       Que legal! Caio agradeceu e veio ao meu chamado.



 Tirando onda com o boné de policial.




Hoje foi dia...

       Fomos à noitinha (mas dia ainda - bendito horário de verão!) ao supermercado.
       Caio agitadíssimo como lhe é inerente. Olhando tudo, perguntando tudo, querendo mexer em tudo. Toda hora sumindo do meu campo de visão. Claro, todos que lá estavam não só souberam mas decoraram o nome do Caio, de tantas vezes que eu o chamei.

       A seguir, algumas ocorrências deste nada monótono período de tempo de compras:

       Estávamos indo para a seção de panos de prato. Caio, desembaraçado, identificou logo uma funcionária e voltou correndo para informar:
       - É aqui, mãe!
       (Detalhe: eu não estava procurando a seção, sabia onde ficavam tais paninhos, mas Caio se antecipou. Sinal de que será uma pessoa despachada, como diz minha mãe.)

       Diante da minha demora em escolher os panos, porém, Caio impacientou-se, reclamando:
       - Escolhe logo, mãe, tá demorando muito! (Ai, ai, ai... mais um homem que não gostará de acompanhar as mulheres nas compras, será?)

                         *                   *                     *                   *                     *

       Caio chegou perto de uma senhora idosa e bem pequenina que estava escolhendo um paio. Parou ao lado dela e com a mãozinha ereta como se fosse bater uma continência, começou a comparar e a medir as alturas da idosa e dele próprio. A senhora percebeu e se deliciou com a situação. Ele falou:
       - Estou quase do seu tamanho...
       Ela retrucou:
       - Não senhor, não estamos quase do mesmo tamanho, faltam uns bons centímetros ainda. 
       Depois, perguntou se ele queria trocar de idade com ela, no que Caio respondeu:
       - Eu não quero ser uma velha.
      A senhora riu muito, para meu alívio.

                         *                   *                     *                   *                     *

       Passamos para a seção de frutas e legumes. Caio recolheu algumas daquelas redes brancas de proteção das frutas e se vestiu com elas. Colocou umas três em cada braço formando verdadeiras mangas compridas. Enfiou cabeça abaixo algumas, formando golas e por fim uma rede fez as vezes de máscara ou, em alguns momentos, touca. Ele ficou engraçadíssimo! Todo mundo ria muito ao vê-lo. Ele nem aí pra ninguém. Brincou muito de... quê, mesmo? Senhor rede, o impiedoso, ou algo parecido. Usufruiu todo o seu direito de ser criança!! 

Nessas horas tenho pena de não possuir um desses celulares 
faz-tudo para fotografar a cena que agora só existe na minha 
e em algumas outras memórias...


       Depois Caio viu uma menininha dentro do carrinho de compras acompanhada pelo pai e foi lá falar com ela. A menininha estranhou a indumentária, mas Caio se apresentou e começou a conversar de modo que a garotinha já estava sorrindo pra ele. Caio veio, depois, correndo me contar:
       - Mamãe, mamãe, sabe quem eu conheci? A Maria Eduarda!!!


                         *                   *                     *                   *                     *

       Caio estava de posse da lista de compras e me surpreendia com vários produtos da lista que ele ia trazendo para o carrinho. Engraçado que ele trazia sempre a marca que eu, de fato, uso. E aprendi com isso que não devemos menosprezar a ajuda de uma criança e também que elas estão o tempo todo "ligadas" e nós nem percebemos. Claro que Caio sabia cada marca de cada produto, não foi coincidência. As crianças observam... e retêm na memória tudo o que se lhes passa diante dos olhos.
      Mas quando Caio fez isso com os ovos, ralhei. Ele amuou.

                         *                   *                     *                   *                     *

      Por fim, reclamando muito de sede, ganhou um finni e estava louco para comê-lo. Teve de esperar as compras serem passadas na registradora. Mas ele toda hora perguntava e mexia no produto. Recomendou umas duas vezes à operadora do caixa que ela registrasse aquele produto antes dos outros. Tirei o finni de suas mãos e pedi que não mexesse mais e se acalmasse. Enquanto terminava de digitar meus dados do Clube Extra, ouvi a moça antipaticamente falar com ele:
      - Sua mãe já falou e eu vou repetir: pare de mexer!

      Ficou quietinho, ele não esperava. Foi a única que não sucumbiu à sua vivacidade de criança curiosa e doce ao mesmo tempo.